Nossa Entrevista com Micarla

11 de junho de 2011


                Em 2009, realizamos uma entrevista coletiva com a prefeita Micarla de Sousa, no programa Xeque Mate. A dirigente do poder executivo municipal acabara de vencer as eleições, com vantagem significativa, ainda no primeiro turno.
                Num dado momento, perguntei à prefeita de Natal a respeito do uso da Televisão como ferramenta política. Ela tergiversou, disse que não havia problema algum. Vale lembrar que grande parte das concessões de Rádio e TV foi distribuída pela ditadura, desconsiderando os interesses maiores da sociedade. No caso da TV Ponta Negra, a concessão coube ao senador Carlos Alberto de Sousa, pai de Micarla.
                
IRRITAÇÃO

              Apresentei novamente a pergunta, desta vez, indagando se não havia conflito de interesses, pois o direito de explorar uma emissora de Rádio ou TV é uma concessão pública como outra qualquer. A prefeita disse que não havia nada de errado, desconsiderando o que diz a constituição a respeito. Quando perguntei se não havia uma vantagem injusta em relação aos outros candidatos, ela disse que eu estava sendo preconceituoso com os comunicadores que se candidatam. A prefeita também ficou incomodada quando mostramos imagens de uma entrevista anterior, na qual ela disse que não seria candidata, justamente para preservar a TV de um uso político. Depois, demonstrou irritação com minhas perguntas, a ponto de dizer aos membros da equipe nos bastidores: “olha pessoal, eu sei que não foi culpa de vocês”.
                A constituição federal proíbe que deputados e senadores sejam concessionários públicos. Na verdade, quando os políticos profissionais são concessionários temos a porta aberta para a corrupção. Nada impede que o prefeito destine verbas publicitárias volumosas para sua própria emissora. Nada impede que o político exercendo mandato utilize o “seu” canal de Rádio e TV para mentir e enganar.
Não fiz, nem farei ofensas dirigidas à pessoa de Micarla de Sousa. Mas como cidadão e como jornalista é meu dever formular críticas a qualquer gestor público. O partido da imprensa deve ser o povo. Ou como disse minha colega Daniele, cabe a imprensa buscar sempre a verdade. A comunicação não pode ser escrava de interesses privados, tem que estar a serviço de toda a população. Um dia chegaremos lá.

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